segunda-feira, 6 de julho de 2009

sobre a perfeição

“...
Recordo um amor que perdi

Ele ri
Diz que somos iguais
Se eu notei
Pois não sabe ficar
E eu também não sei

E gira em volta de mim
Sussurra que apaga os caminhos
Que amores terminam no escuro
Sozinhos

Respondo que ele aprisiona
Eu liberto
Que ele adormece as paixões
Eu desperto

E o tempo se rói
Com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Prá tentar reviver
...”

Resposta ao Tempo
Composição: Aldir Blanc/Cristovão Bastos


Sem mais para o momento vou lutar contra aquele moinho de estupidez que resiste bravamente as minhas investidas de saudade e paciência.

Vocês trazem alegria para esta casa.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

05/08

É por ele o suspiro quebrado, a mão do queixo e o coração aos pulos. É dele a saudade, o cheiro que me cerca e a mão no meu cabelo. Sou dele. Desde o número do meu telefone ao baú de cartas. Nunca amanhecemos juntos, mas é o som do seu riso que guia a minha paz. Porque sou mutável, translúcida, líquida, absurdamente inconstante e ainda assim, por tudo e depois de tudo, eu sei: por mais afluentes que eu tenha é nele que vou desaguar.
vocês trazem alegria para esta casa.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Multicor

Perdeu o brinco, a paciência e o medo. Depois disso não tinha o que perder. Portanto não o fez. Nem perdeu nem tentou. Já não dormia, nem deitava. Passava horas esperando um vento novo, mas a janela fechada mantinha a barreira entre o canto do vento lá fora e ela sentada num canto qualquer. Era ridículo e triste vê-la esmolando amor. Sempre tivera tanto que distribuiu sem pena. Atirava amor pra todos os lados. Acabou ferida por um caco de amor em ricochete. Não morreu. Era um amorzinho pequeno. Miúdo e afiado. Deixou uma cicatriz entre os seios. Era como se tivesse um bloco de gelo em baixo daquela linha branca. Não tinha fotos nem esperança. Não sabia desamar e não havia espaço para outro amor.
Vocês trazem alegria para esta casa.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

A Roda e a Estrela

Não era princesa nem boneca. O oposto da Barbie. Não era alta nem magra. Nem tinha carrão, casa com cara de castelo, nem um super namorado gostoso. Não era mulherão. Não usava salto ou maquiagem. Nem roupas de grife ou perfumes caros. Não freqüentava salão de beleza nem pintava as unhas de vermelho. Também não tinha unhas compridas e bem feitas. Roeu as unhas a vida toda. Tinha as mãos pequenas e os dedos curtos. Mal cobriam o braço de um baixo. Quis tocar baixo ou bateria. Nunca aprendeu. Como não aprendeu inúmeras outras coisas. Não aprendeu a desamar nem a ter parcimônia. Tudo era hipérbole. Se ela fosse um eufemismo seria: “hipérbole”. Se fosse uma hipérbole seria: ”super nova”. Construiu um mundo de amor. Amou tanto que encheu o mundo com amor e não sobrou espaço pra mais nada. Nem pra criatura amada. Nem pro caminho de volta. Por isso aprendeu a voar. Dizem que foi vista misturada a nuvens cor-de-rosa, dessas que parecem areia, quase uma praia de cabeça pra baixo pendurada no céu. Aposto que a essa hora já escreveu poesia na nuvem/areia, banhou os pés no céu azul de Teresina e armou uma rede entre as estrelas. Posso até vê-la: livre, os cabelos destrançados e os pés em ponta, pronta pra dançar...

Vocês trazem alegria para esta casa.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

O terceiro

Fiz de tudo. Tanto açúcar e afeto que nem Betânia aguentaria cantar. Fiz o mundo inteiro de açúcar e choveu. Acabou-se. Meu mundo escorreu pelo meu queixo. Quase Tita, mas não era feliz. Pedi tanto que ainda tenho a boca seca, e o resto do corpo também. Amei demais. Tanto que dei o que me faltava e fiquei sem nada. Nem um: “Obrigado, boa noite.”, eu recebi.

E lá vou eu, mais uma vez, enfrentar moinhos de espera, ausência e saudade.

vocês trazem alegria para esta casa.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Eu queria desesperadamente que meu telefone tocasse ou receber um e-mail ou uma SMS ou uma pedra na minha janela. Eu queria amanhecer em paz.

Valsinha Vinicius de Moraes - Chico Buarque/1970

Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a dum jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto convidou-a pra rodar
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Então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça foram para a praça e começaram a se abraçar
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E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade que toda a cidade enfim se iluminou
E foram tantos beijos loucos
Tantos gritos roucos como não se ouvia mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu
Em paz

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É clichê cantar Chico nessa casa. Mas eu queria tanto. Tanto.
Queria mesmo era que fosse comigo.
Hoje mesmo compro um som pro meu carro.
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Vocês trazem alegria para esta casa.

domingo, 10 de maio de 2009

Este amor se autodestruirá em cinco segundos...

Não, esse não é um amor para a vida toda. Menos ainda amor eterno. Esse é um amorzinho daqueles bem “meia boca”, daqueles reles e sem propósito. Um amorzinho ridículo e medíocre. Sem tempo, passado ou futuro que o justifique. Sem boas lembranças e sem esperança alguma. Amorzinho chinfrim. Sem bilhetes ou flores. Sem presentes ou surpresas. Amorzinho insignificante, cheio de lacunas e com nada de plenitude. Amor pouco, na medida. Amor quase nada. Amorzinho cheio de coisa nenhuma. De mentira. De ilusão. Amorzinho prolixo e moroso. Sem um fim que o valha, a não ser, é claro, o fim da história.
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Vocês trazem alegria para esta casa.