terça-feira, 20 de maio de 2008

Do que eu não falo



Esperei a vida toda. Tanto tempo que só meu mundo sem tempo mensura. As minhas hipérboles sem fim. E de tanto amor que tenho, desisto. Não consigo. Não sou metade. E se sou, sou só metade. Só.

Melhor agora que depois. Tenho uma pressa imensa. O fim. Sempre. Gosto de segurança. Da minha tranqüilidade. E pouco me importa o quanto eu vou perder. Eu perderia. Eu sei. Questão de tempo. Eu que não sei contar o tempo. Pouco me importa o relógio. Eu sou a dona das horas.

Quero que me recitem Vinícius. Quero girassóis. Quero ter meu dia de Flora. Quero meu Oberon.

É difícil isso?





Vocês trazem alegria para esta casa.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Eu I





Não, nem é amor.
Isso que me consome o tempo e me balança o pé.
A urgência, a saudade imediata.
Eu sei, o suspiro, o calor e a música. Nada disso é amor.
O amor sou eu.





vocês trazem alegria para esta casa.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

O ciúme e o vento




O ciúme cerrou meus lábios e meus punhos.
Findou meu bom humor.

O ciúme declarou-me guerra.
E lá vou eu caçar moinhos...








vocês trazem alegria para esta casa.

terça-feira, 29 de abril de 2008

III

Olhos cor de terra. A conta certa para fincar minhas raízes.

Completamente entregue a esse vício. Eu não consigo mais não ter tuas impressões digitais em mim. Segundos que levam a vida inteira, eu de tanto esperar. Resolvi acabar com isso. Essa palhaçada de esperar... não posso deixar que você, ou qualquer outra pessoa, decida sobre o amor que eu sinto. E, sim, eu te amo. Amo mesmo. Muito. E pronto. Qual o problema? Acabou a inércia. Agora quem decide sou eu.

Tenho três espinhos e o mundo que me aguarde! Eu vou lutar por você.

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Vocês trazem alegria para esta casa.


sábado, 12 de abril de 2008

II

É tarde e eu já fui longe demais. Impossível mais um passo e, se passo o dia sentindo teu cheiro, a noite é maldizendo tua ausência. E isso eu não devo. Não se trata apenas de mais um amor eterno que dura uma sessão de cinema. O que eu sinto me assusta. É o suficiente para fugir dessa história que nem aconteceu ainda. Nem aconteceria, eu sei. Sei também, que você a ama (e não são juras muito bem escritas que me convencem disso). Sempre soube.

É melhor eu me deixar em paz. A paz que eu sinto ao teu lado custa muito. Muito caro, muito tempo, muito risco. Mais uma vez não devo. Eu te amo e o mínimo que espero de mim é que te ajude a encontrar tua felicidade. Não quero mais escrever cartas no meio da madrugada enquanto você está em outra companhia (quero passar madrugadas inteiras aquecendo meus pés nos teus). É uma piada sem graça cada instante de ausência. E eu gosto mesmo é de rir. Agora lembro de como é bom rir contigo e mais um bendito suspiro me ocupa o peito. Sou arrogante demais para mover uma palha. Sou pessimista demais para apostar em mim. Sou mais sonho do que qualquer realidade poderia suportar. Lutaria por você com unhas e dentes, se não fosse eu. Mas infelizmente eu acredito só um pouco no amor... e acredito mais na parte que dá medo.

Covarde o bastante para escrever essa enxurrada de engasgos e não te mostrar uma linha. Eu de nunca entregar cartas... disso você sabe. É que eu me habituei rápido demais a tua presença. Você sempre enche a casa, a cama e meu coração. Meu coração já te trazia há dias, antes de você encher minha sala com botas e cheiro de cigarro. Minha cama você ocupou por último, mas o fez de uma maneira tão encantadora que me dá vergonha das lembranças de antes. Eu só queria mesmo era que você ficasse. Mas não sei prender, não sou assim. E me sobra mais saudade dos dias que eu não vou passar contigo. Por ser inerte, por passar tempo demais com a mão no queixo. Por esperar demais.

Não sou feita de matéria para o amor. Não para esse cotidiano, de esperar retorno, de atribuir responsabilidades graves demais. Quero um amor que me deseje bom dia e que fique ao meu lado enquanto sigo meus caminhos. Quero alguém que vá comigo buscar minha felicidade. A droga do Conta Comigo que eu não vou esquecer nunca! Não é justo esperar que alguém a traga (a minha felicidade), embrulhada em papel celofane laranja. E infelizmente, é impossível. Não conheço ninguém, além de mim, que acredite nessas utopias sobre amor de doação. Portanto, eu acho que não acredito no amor. Quer saber? Mesmo? Acredito sim. Acredito desesperadamente no amor. Principalmente no meu. É disso que sou feita. De amor devoto. Como os girassóis. Mas é muito pouco ter companhia. Sou exigente demais. Sempre saboto meus relacionamentos e essa carta (que, obviamente, você não vai ler nunca) é mais uma prova. Mas eu queria mesmo era que você ficasse. E essa ladainha toda é pra te provar que eu sou tua.

A resposta para a droga da tua pergunta cretina é: sim. E eu não consigo fazer porra nenhuma pra mudar isso. E ainda assim, mesmo que não seja do meu jeito, mesmo que não seja amor, eu queria muito que você ficasse. Porque eu sou o supra-sumo da falta de auto-estima. E me contento em te dar as chaves da minha casa. E quem vai se ferrar nessa história toda sou eu. Mas eu sempre soube. E quer saber? Foda-se (já falei que sobra pra mim?). Eu vou te amar até colorir o mundo. Eu sei que vai valer a pena. Para mim, vai valer muito a pena. Desde que você fique, é claro.
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Vocês trazem alegria para esta casa.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

convocatória


Vocês trazem alegria para esta casa.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Teresina, 23 de março de 2008.

Não consigo. Definitivamente, eu não posso fazer nada. Um medo imenso, maior do que a esperança que eu sinto, resolveu fazer ninho em minha cabeça.

Meu coração pulsa motivado a mudar o mundo desde ontem. Mas o resto de mim tem medo. Eu de todo o amor sem fim.

Tua. A pele, o cheiro, o amor. Tua, sim. E eu só espero que me aceite. Peço com os olhos, com o corpo inteiro, mas me falta voz. O medo fez ninho em minha garganta também. Queria ter dito do meu amor. Da felicidade imensa e da gratidão que eu sinto pela vida recebida novamente. Adoraria ter dito entre suspiros que voltei a ter fé. Teria feito declarações de amor como quem reza, mas o medo, senhor da situação, me calou.

Esperei por muito tempo para ouvir o que você disse. Foi a primeira vez que eu escutei “eu te amo” e não “eu também”. E isso me faz fechar os olhos e tremer até agora. Sempre tive muita pressa, dizia o que queria sentir e não o que sentia. Talvez por isso nunca tenha acreditado no amor. Bom, eu acredito no amor... acredito mesmo... como todo mundo acredita um pouco, e sai distribuindo um pouco de amor pelo mundo. Mas é essa a questão: o amor pouco. A troca. E isso eu não sei fazer. Já passei por muitas e terríveis. Algumas ainda doem. E vão doer enquanto eu estiver aqui. Mas, com a dor, aprendi a conviver. Com o amor, ainda não.

Eu te amo. Muito. Amei antes tuas letras e a magia nas linhas feitas. Depois amei os olhos e as mãos, exatamente nessa ordem. Mas já amava a presença e não sabia. A saudade que me contou. Amo o riso. O calor. Amo o abraço. E de lembrar da minha cabeça em teu ombro, mais um suspiro por não te ter agora. Você, o meu baú de suspiros.

E enquanto escrevo, lembro dos muitos avisos para cuidar de mim. Não deixo de pensar nisso um minuto. É um pouco tarde agora. Não consegui; espero que você o faça. Agora que sou tua, e a cada linha escrita passo a ser ainda mais. Espero que você o faça. Ou me diga qual o outro caminho.

É meu e livre, o amor que ofereço. Sim, ofereço; não espero retribuição. Sei das tuas escolhas e espero, muito, que todas estejam certas. Desejo tua felicidade tanto quanto desejo a minha. Por isso me preocupo também. E só eu sei como anda meu coração depois que parte dele está contigo.
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Vocês trazem alegria para esta casa.